lenda de ossaim

Ossaim
Ossaim

O S S A I N


Descendo de Orun, Ossain se tornou um Orixá solitário. Enfeitiçou Oxóssi para este morar na floresta consigo. Ensinou os segredos das folhas para Oxóssi, mas, Iemanjá e Ogum (a pedido de sua mãe) recupera o filho do poder de Ossain e deixa este sozinho outra vez. Certo dia, querendo ser conhecedor das plantas que Ossain guardava com tanto afinco em suas cabaças, Xangô pediu à Iansã que esta soprasse um vento bem forte na floresta de Ossain para ele poder recolher as ervas. Iansã por amor a Xangô assim faz. Mas com a quebra das cabaças e as ervas sendo espalhadas todos os Orixás correm para recolher as ervas. Pronunciando uma frase mágica Ossain faz com que as ervas voltem para a sua floresta, ficando cada Orixá com algumas ervas, mas sem o efeito (axé). Ossain então decide que cada Orixá poderá ter o seu Axé das ervas deste que ao recolhê-las peça licensa a ele.

ELEMENTO: Ar.

SÍMBOLO: Um feixe de 07 lanças com folhas, tendo um pássaro na lança central, representando o poder das folhas para curar as doenças e tirar as feitiçarias (na África acredita-se que as feiticeiras se transformam-se em pássaros - como as corujas - para atacar os homens).

CORES: Verde rajado de branco.

OFERENDAS: Carneiro, pato, milho branco,acaçá, feijão, farofa.

REINO: As profundezas da mata.

DIA DA SEMANA: Quinta-Feira.

SAUDAÇÃO: Ewe, Aça!




Ifà foi consultado por Orunmila, que estava partindo da Terra para o Céu, onde iria apanhar todas as folhas que seriam úteis aos homens.
"Chegando ao céu, escutou de Olódùmarè: Eis aí todas as folhas que voce queria pegar. O que fará com elas?"
Òrúnmìlá respondeu que iria usá-las em benefício dos seres humanos na Terra.
Todas as folhas que Òrúnmìlá estava pegando,seriam levadas para fazer remédios, rituais mágicos e religiosos.
Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (que está a meio caminho entre a Terra e o Céu), Òrúnmìlá encontrou -se com Òsányìn no caminho e perguntou a ele: "Òsányìn, onde vai você?"
Este disse que iria ao Céu, que estava indo apanhar folhas e remédios.
Òrúnmìlá concordou, contou que já tinha ido buscar folhas no Céu, para ensinar seu uso aos seres humanos que viviam na Terra. Disse também: "Apanhe todas estas folhas que eu já colhi e separei, elas serão muito úteis aos homens."
Òsányìn pôde apenas guardar todas as folhas, com elas ele poderia futuramente fazer remédios (magias) , porém não conhecia seus nomes.
Foi Òrúnmìlá quem deu nome a todas as folhas naquele dia. e cada palavra usada servia para explicar o significado de cada uma delas. Quando terminou ele disse: "Você, Òsányìn, pode levar todas as folhas para a Terra. Eu irei junto com você."
Foi assim que Òrúnmìlá entregou todas as folhas para Òsányìn naquele dia. E foi ele quem ensinou a Òsányìn o nome das folhas. Foi desta maneira, através do Ifá, que Òsányìn aprendeu o segredo e ficou conhecendo as palavras mágicas (ofo) com as quais se pode desencadear o poder (oogun) de cada uma delas e assim ele pôde ajudar muito todos os seres humanos.



Ossanyin é o deus das plantas medicinais e litúrgicas. A sua importância é fundamental pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença, sendo ele o detentor do Axé - a força, o poder - imprescindível até mesmo aos próprios deuses.
O nome das plantas, a sua utilização e os encantamentos que seu poder são os elementos mais secretos do ritual dos cultos aos deuses Yorubás.
O símbolo de Ossanyin é uma haste de ferro tendo ao alto um pássaro de ferro forjado; esta mesma haste é cercada por seis varetas pontuadas dirigidas em leque para o alto. O pássaro é a representação do poder de Ossanyin: é o mensageiro que vai à toda parte, volta e se empoleira sobre a cabeça de Ossanyin para lhe fazer o seu relato. Este símbolo do pássaro representa o Axé, o poder bem conhecido das feiticeiras, elas mesmas freqüentemente chamadas Eleyés, proprietárias do Pássaro-Poder.
Cada divindade tem suas ervas e suas folhas particulares, dotadas de virtudes, de acordo com a personalidade do deus. Lydia Cabrera publicou uma lenda interessante, difundida em Cuba, sobre a reparticão das folhas entre as diversas divindades: "Ossanyin havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em que Xangô se queixou à sua mulher, Oyá-Yansã, senhora dos ventos, que somente Ossanyin conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros deuses estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Oyá levantou as saias e agitou-as, impetuosamente.
Um vento violento começou a soprar. Ossayin guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de árvore. Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e essa tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou: "Ewé O!! Ewé O!!, Oh! as folhas! Oh! as folhas!!" mas não pôde impedir que os deuses as pegassem e as repartissem entre si".
A colheita das folhas deve ser feita com cuidado extremo, sempre em lugar selvagem, onde as plantas crescem livremente. Aquelas cultivadas nos jardins devem ser desprezadas, porque Ossanyin vive na floresta, em companhia de Aroni, um anãozinho, comparável ao Saci-pererê, com uma única perna e, segundo se diz no Brasil, fumando permanenemente um cachimbo feito de casca de caramujo,enfiada numa vara oca e cheia de suas folhas favoritas. Por causa desta união com Aroni, Ossanyin é saudado com a frase seguinte: "Holá! Proprietário-de-uma-única-perna-que-come-o-proprietário-de-duas-pernas!", alusão às oferendas de galos e pombos, que possuem duas patas, a Ossanyin-Aroni, que não tem senão uma perna.
Os curandeiros, quando vão recolher plantas para seus trabalhos, devem fazê-lo em estado de pureza, abstendo-se em relações sexuais na noite precedendo e indo à floresta, durante a madrugada, sem dirigir a palavra a ninguém. Além disso, devem ter cuidado em deixar uma oferenda em dinheiro, no chão, logo que cheguem ao local da colheita.
Ossanyin está estreitamente ligado a Orunmila, o senhor das adivinhações. Estas relações, hoje cordiais e de franca colaboração, atravessaram, no passado, períodos de rivalidade. As lendas refletem as lutas de precedência e de prestígio entre adivinhos-babalaôs e curandeiros. Como estas histórias são transmitidas pelos Babalaôs, não é de estranhar que tenham a glorificar mais Otunmila e os adivinhos babalaôs do que Ossanyin e os curandeiros.
Segundo uma lenda recolhida por Bernard Maupil, "assim que Orunmila nasceu, pediu um escravo para lavrar seu campo; compraram-lhe um no mercado. Era Ossanyin. Na hora de começar seu trabalho, Ossanyin percebeu que ia cortar a erva que curava a febre. E então gritou: "Impossível cortar esta erva, pois é muito útil. A segunda, curava dores de cabeça. Recusou-se, também, a destruí-la. A terceira, suprimia as cólicas. Na verdade, disse ele, não posso arrancar ervas tão necessárias. Orunmila, tomando conhecimento da conduta de seu escravo, demonstrou desejo de ver estas ervas, que ele se recusava a cortar e que tinham grande valor, pois contribuíam para manter o corpo em boa saúde. Decidiu, então, que Ossanyin ficaria perto dele para explicar-lhe a virtude das plantas, das folhas e das ervas, mantendo-o sempre ao seu lado na hora das consultas".
Uma outra história nos dá conta que, se Ossanyin conhece o uso medicinal das plantas é, entretanto, a Orunmila que cabe o mérito de haver conferido nomes a estas mesmas plantas. Os poderes de cada planta estão em estreita ligação com o seu nome, e as palavras de encantamento que são obrigatoriamente pronunciadas, no momento de seu uso, são indicadas pelos adivinhos aos curandeiros, fato este que dá aos primeiros uma posição de supremacia sobre os segundos. Isto é dito pelos Babalaôs, afim de demonstrar que, sem o poder liberador da palavra, as plantas não poderiam exercer a ação curativa que possuem em estado potencial.
Na África, os curandeiros, chamados Olossanyin, não entram em transe de possessão. Adquirem a ciência do uso das plantas após uma longa aprendizagem.
No Brasil, as pessoas dedicadas a Ossanyin usam colares verde e branco. Sábado é o dia que lhe á consagrado e as oferendas que lhe são feitas compõem-se de bodes, galos e pombos. Seus Iaôs, ao contrário daqueles da África, entram em transe mas, nem sempre, possuem conhecimentos profundos sobre as virtudes das plantas. Quando eles dançam, trazem não mão o mesmo símbolo de ferro forjado, cuja descrição foi feita anteriormente. O ritmo dos cantos e das danças de Ossanyin é particularmente rápido, saltitante e ofegante. Saúda-se o deus das folhas e das ervas gritando-se: "Ewe O!" "Oh! as folhas!"
O arquétipo de Ossanyin é o das pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus sentimentos e emoções. Daqueles que não deixam suas simpatias e antipatias intervir nas suas decisões ou influenciar as suas opiniões sobre as pessoas e os acontecimentos.
É o arquétipo das pessoas cuja extraordinária reserva de energia criadora e resistência passiva, ajuda-as a atingir os objetivos que se fixaram. Das pessoas que não tem uma concepção estreita e um sentido convencional da moral e da justiça. Enfim, daquelas pessoas cujos julgamentos sobre os homens e as coisas são menos fundados sobre as noções do bem e do mal do que sobre a da eficiência.